segunda-feira, 5 de maio de 2008

O Ciclo Natalino

O ciclo natalino inicia-se na véspera do Natal, 24 de dezembro, e vai até o dia de Reis, 6 de janeiro. Temos vários folguedos natalinos, como o pastoril, o bumba-meu-boi, a cavalhada, a chegança, que fazem referências à Noite de Festas e ao grande dia em que Jesus nasceu. Desses folguedos, o mais tipicamente natalino é o pastoril religioso. Simbologia do Natal é carregado de magia, gritos, cantigas, forma rudimentar do culto, um rito de cunho teatral, o drama litúrgico ou religioso medieval ganha modificações no decorrer dos séculos.

Alguns simbolos natalinos:

· Árvore - Representa a vida renovada, o nascimento de Jesus. O pinheiro foi escolhido por suas folhas sempre verdes, cheias de vida. Essa tradição surgiu na Alemanha, no século 16. As famílias germânicas enfeitavam suas árvores com papel colorido, frutas e doces. Somente no século 19, com a vinda dos imigrantes à América, é que o costume espalhou-se pelo mundo.
· Presentes - Simbolizam as ofertas dos três reis magos. Hábito anterior ao nascimento de Cristo.
· Velas - Representam a boa vontade.
· Estrela - No topo do pinheiro, representa a esperança dos reis-magos em encontrar o filho de Deus. A estrela guia os orientou até o estábulo onde nasceu Jesus.
· Cartões - Surgiram na Inglaterra em 1843, criados por John C. Horsley que o deu a Henry Cole, amigo que sugeriu fazer cartas rápidas para felicitar conjuntamente os familiares.
· Comidas típicas - O simbolismo que o alimento tem na mesa vem das sociedades antigas que passavam fome e encontrava na carne, o mais importante prato, uma forma de reverenciar a Deus.
· Presépio - Reproduz o nascimento de Jesus. O primeiro a armar um presépio foi São Francisco do Assis, em 1223. As ordens religiosas se incumbiram de divulgar o presépio, a aristocracia investiu em montagens grandiosas e o povo assumiu a tarefa de continuar com o ritual.

Reisado

Reisado é uma Festa popular que se realiza no dia de Reis, geralmente suas comemorações são iniciada na noite de Natal e encerrada no dia 6 de janeiro “dia de Reis”. Folguedo natalino em que grupos cantam e dançam, em geral. Esses grupos de músicos, cantores e dançarinos percorrem as ruas das cidades e até propriedades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias, pedindo prendas e fazendo louvações aos donos das casas por onde passam.

História do Reisado
O Reisado chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses, que ainda conservam a tradição em suas pequenas aldeias, celebrando o nascimento do Menino Jesus. Em Portugal é conhecido como Reisada ou Reseiro.
O folguedo do ciclo natalino é comemorado em várias regiões brasileiras, principalmente no Norte e Nordeste, onde ganhou cores, formas e sons regionais.
Em Alagoas, constitui-se numa representação dramática, normalmente curta e pobre de enredo, acompanhada e precedida de canto.
Em Sergipe, é apresentado em qualquer época do ano e não apenas nas festas de Natal e Reis.

Os instrumentos utilizados
A sanfona, o tambor, a zabumba, a viola, a rebeca ou violão, o ganzá, pandeiros, pífanos e os "maracás", chocalhos feitos de lata, enfeitados com fitas coloridas.

Personagens principais o Mestre, o Rei e a Rainha, o Contramestre, os Mateus, a Catirina, figuras e moleques.

O Mestre é o regente do espetáculo. Utilizando apitos, gestos e ordens, comanda a entrada e saída de peças e o andamento das execuções musicais. Usa um chapéu forrado de cetim, de aba dobrada na testa (como o dos cangaceiros), adornado com muitos espelhinhos, bordados dourados e flores artificiais, de onde pendem fitas compridas de várias cores; saiote de cetim ou cetineta de cores vivas, até a altura dos joelhos, enfeitado com gregas e galões, tendo por baixo saia branca, com babados; blusa, peitoral e capa.
O Rei deve ser mais bonito e enfeitado. Veste saiote ou calção e blusa de mangas compridas de cores iguais, peitoral, manto de cores diferentes em tecido brilhante (cetim ou laquê);calça sapato tênis (tipo conga), meiões coloridos e na cabeça uma coroa feita nos moldes das dos reis ocidentais, semelhante a das outras figuras, porém encimada por uma cruz; levam nas mãos uma espada e, às vezes, também um cetro. Durante o cortejo os Reis vêm na frente, logo atrás do Mestre e do Contramestre.
A Rainha é representada por uma menina, com vestido "de festa", branco ou rosa, uma coroa na cabeça e um ramalhete de flores nas mãos.
O Contramestre é o responsável pelo Reisado na ausência do Mestre. Seu traje é semelhante ao daquele, só que menos pomposo.
Os Mateus sempre aparecem em dupla, usam trajes diferentes dos outros figurantes: vestem paletós e calças de tecido xadrez, usam um grande chapéu afunilado que chamam de cafuringa, com espelhos e fitas coloridas, óculos escuros, rosto pintado de preto, geralmente com tisna de panela ou vaselina e levam nas mãos os pandeiros.
A Catirina conhecida antigamente como Liça é a noiva do Mateus. Veste-se de preto, traz um pano amarrado na cabeça, o rosto pintado de preto e um chicote nas mãos, com o qual corre atrás das moças e crianças. Ela e os Mateus são os personagens cômicos do Reisado.
As outras figuras formam o coro do Reisado, que participam ativamente apenas nas batalhas, nas danças e no canto, quando respondem ao solo do Mestre. É uma das tradições populares mais ricas e apreciadas do folclore brasileiro, principalmente na região Nordeste.

Fandango

As danças do Fandango foram trazidas pelos portugueses dos Açores. Estão intimamente ligadas ao canto e seu principal intrumento é a viola. Elas são muito numerosas e denominam "Marcas". As principais são: Chimarrita, Anu, Quero-Mana, Cana-Verde, etc. Notadamente o fandango é uma das danças regionais mais interessantes do nosso folclore, de grande efeito coreográfico. O fandango bem dançado é de requintada estética e elegância, bastando dizer que os pares se rodeiam esboçando uma provocação sutil, sem nunca se tocarem nem sequer com as mãos. Os cavaleiros sapateiam continuadamente, enquanto fazem as esporas tilintar ritmicamente, como instrumento musical complementar, movimentando o corpo, sinuosamente, serpenteando. Entrementes, as damas movimentam-se com meneios insinuantes e requebros graciosos, sem sapatear, acompanhando os gestos com castanholas. Instrumentos musicais: viola, acordeão. Coreografia: os passos principais do fandango dividem-se em três categorias: 1) rufado ou batido; 2) bailado ou valsado; 3) rufado e valsado. Os cavalheiros formam com suas damas uma grande roda; as formas se alteram, as damas ficam de frente ou, às vezes, ao lado do cavalheiro, ou rodando um com o outro. E a dança desenvolve-se em uma atmosfera de sentimento esfuziante de anseios, desejos incontidos que chegam a inebriar os figurantes.
O "tatuí", uma das modalidades do fandango, apresenta como característica principal ser dançado por 10 cavalheiros, sem o concurso de damas. Sua coreografia inicia-se com palmadas ou tocar de castanholas.
Os passos desenvolvem-se da esquerda para a direita. Apresenta uma série de passos: viracorpo, pega-na-bota, quebra-chifre, pula-sela, mandadinho. Coreografia dos diversos passos do fandango "tatuí", conforme Rossini Tavares de Lima, em seu livro "Melodia e Ritmo no Folclore de São Paulo", pág. 36: "No quebra-chifre, os dançadores recordam os bois, quando brigam um com o outro, entrelaçando os chifres. Essa figura consiste em bater o lado do pé direito no pé esquerdo do parceiro e vice-versa. Para executá-la, os fandangueiros sempre a sapatear, ficam frente a frente. A marca encerra-se com um sapateado vivo, no qual os dançadores fecham a roda. A derradeira "marca" do fandango é o "mandadinho", que tem esse nome porque no seu transcurso o marcante vai dizendo o que os outros dançadores devem fazer. Na coreografia, descrevem o plantio, a colheita, o ensacamento e o armazenamento do feijão. Há também o "simples", no qual o marcante manda fazer coisas que não se relacionam. O final do mandadinho, como o das demais "marcas", apresenta a mesma figuração. No litoral de São Paulo, o fandango compreende uma série de danças, que podem ou não apresentar o sapateado ou bate-pé, como por exemplo: DãoDão, DãoDãozinho, Graciana, Tiraninha, Tirana-Grande, Rica-Senhora, Recortado, Recortado Grande, Morro Seco, Pica-Pau, João Dum Maruca, S. João do Porto, Chimarrita, Querumana, etc. O fandango rural, por outro lado, é nome genérico de diversas danças de salão, principalmente no Sul do País, passando assim, a designar qualquer baile, função ou divertimento.

Marujada

Marujada de Bragança – PA (louvor São Benedito)
Origem : Pará e Amazonas
Participantes : Dança com predomínio de mulheres.
Homens têm papéis secundários.
Personagens : Mulheres - “capitoa”, “subcaptoa” e
marujas.
Homens-o capitão do navio, o piloto,
o mar-e-guerra e o embaixador.

Indumentária : Coloridas e assemelhadas a roupas dos
festejos juninos. Chapéu com plumas
e cheio de fitas coloridas.Muito colar
de contas ou cordão de ouro além de
medalhas.

Características :Não há canto nem dramatização de
algum efeito marítimo. Apenas música
e dança.

● Marujada do nordeste ou outros locais

Denominações : Nau Catarineta, Barca, Fandango ou
Chegança de Marujos ( dependendo
da região)
Participantes : Personagens masculinos são
predominantes.


Indumentária : Personagens vestem-se de marinheiros
Características : Cantos recitativos, diálogos. Domínio
do canto sobre a dança.Dramatizações
de inspiração náutica,de origem ibérica.
Identidade individual reafirma a
coletiva.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Cavalhada

O Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, registra cavalhada como desfile a cavalo, corrida de cavaleiros, jogos de canas, jogo de argolinhas. De origem ibérica, a cavalhada ou argolinha recorda os torneios eqüestres medievais. Chegou primeiro nos romanos, depois a Portugal e, daí foi importada para o Brasil. Em Portugal, o torneio das cavalhadas era realizado nas festas religiosas ou políticas. Dele participavam os monarcas, com os príncipes e fidalgos da casa real, até tornarem-se um divertimento popular. No Brasil, a participação das classes dominantes também era uma das características das cavalhadas. Foram introduzidas pelos cavaleiros e fidalgos que chegavam com os donatários. Antigamente fazia parte das festividades cívicas e religiosas e depois dos nossos costumes e folguedos populares. No Brasil os mais antigos registros das cavalhadas (argolinhas), remontam às festas públicas promovidas pelo Conde João Maurício de Nassau, no Recife, em janeiro de 1641, na comemoração pela proclamação da restauração de Portugal. Os desfiles de cavalos, corridas de cavaleiros, jogos de canas, manequim, manilhas e argolinhas foram às características trazidas da Europa.A cavalhada aparece principalmente nos estados de Minas Gerais, Bahia, Paraná e Goiás. Com o tempo o modelo original se perdeu. No Norte se tem apenas os desfiles, corridas de cavalos e jogos de argolinhas. A cavalhada é realizada em espaço amplo (praça, descampado ou parque), é constituída por doze cavaleiros ou pares. Os dois pares dianteiros têm o nome de primeiro e segundo matinadores (em outros estados, mantenedores), que são os chefes respectivamente dos cordões encarnado e azul. Os matinadores: devem ser mestres na arte da cavalhada pois, desses últimos, cabe obrigatoriamente a retirada da argolinha, caso não o tenham feito os que os antecedem na corrida.O torneio é dividido em três partes, obrigatoriamente nessa ordem: visita à Igreja(feita à tarde), corrida de argolinhas e escaramuças.Na igreja: Os cavaleiros devidamente paramentados marcham, em dupla fila, na cadência do som da orquestra regional de pífanos e zabumba, conhecida como “Esquenta Mulher”. Em frente à Igreja, eles iniciam o ritual de saudação: tiram os gorros, benzem-se, tiram as facas das bainhas e as beijam como sinal de reconhecimento pela religião que escolheram. Descem de seus cavalos e vão até o altar onde colocam seus buquês com os pedidos ao padroeiro para que o torneio tenha sucesso. Ao fim do ritual de saudação, seguem para o local destinado ao torneio. Acorrida de Argolinha (parte mais emocionante): Antes do torneio a galope, ao se aproximarem das pontas ou fim da pista, dão três voltas por dentro e três voltas por fora dos postes. Dá-se início ao torneio com as corridas de parelhas. Estas são concluídas com a introdução à corrida de argolinhas, que se resume em amarrar a corda aos postes e nela a argolinha é suspensa pela garra. A partir daí, tem início a corrida à argolinha. Acorrida consiste: O cavaleiro, em disparada, deve enfiar a lança no anel de ferro e recolher de lá a argolinha. Todos os aspectos que envolvem a retirada da argolinha (movimentos da lança, firmeza ao apontá-la para a argolinha) são observados para que o mérito e a vitória do cavaleiro sejam aclamados na postura ao realizar a carreira e em alcançar o troféu cobiçado.Após a retirada da argolinha: o cavaleiro deve manter na lança o recebimento dos prêmios, as fitas, cortes de fazenda, xales de valor que são amarrados na lança, concedidos pelos membros da Comissão Julgadora, e no braço esquerdo ou a tiracolo, prêmios dados pelos partidários, amigos, admiradores, parentes. O primeiro prêmio amarrado à lança é destinado ao padroeiro em cuja honra se celebra a festa; os outros, o cavaleiro deve ofertá-los para pessoas de sua amizade ou simpatia. Os do braço ou a tiracolo são do cavaleiro e com ele ficarão até o fim da corrida. Quando chega ao fim o recebimento dos prêmios, o cavaleiro deixa cair a argolinha. Um escudeiro a apanha e a conduz novamente à garra para a próxima corrida (seis ao todo). Na última carreira à argolinha, para se ter direito ao prêmio, é necessário apenas bater na garra, não há a obrigação de enfiar a argolinha na lança. Terminadas as seis carreiras o partido que tiver o maior número de lanças vencerá. Este quantitativo será definido e confirmado por bandeiras colocadas em dois mastros fixados nos dois lados da pista. A última parte do torneio consiste em demonstrações eqüestres, seguindo-se as escaramuças: o oito e noves, os zeros e os biscoutos, cada uma delas com características próprias. O torneio da cavalhada se encerra com a Retirada: os pares se seguram mutuamente às rédeas, fazem um desfile em frente ao palanque e, em sinal de gratidão, beijam e agitam as facas na direção do público. Em algumas cavalhadas, existindo ou não uma procissão, faz-se o Agradecimento, onde o primeiro matinador, diante da Igreja ou do palanque, agradece e abraça todos os companheiros pelos serviços prestados. No início da noite, os cavaleiros recolhem-se às suas casas.

bibliografia
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco