As danças do Fandango foram trazidas pelos portugueses dos Açores. Estão intimamente ligadas ao canto e seu principal intrumento é a viola. Elas são muito numerosas e denominam "Marcas". As principais são: Chimarrita, Anu, Quero-Mana, Cana-Verde, etc. Notadamente o fandango é uma das danças regionais mais interessantes do nosso folclore, de grande efeito coreográfico. O fandango bem dançado é de requintada estética e elegância, bastando dizer que os pares se rodeiam esboçando uma provocação sutil, sem nunca se tocarem nem sequer com as mãos. Os cavaleiros sapateiam continuadamente, enquanto fazem as esporas tilintar ritmicamente, como instrumento musical complementar, movimentando o corpo, sinuosamente, serpenteando. Entrementes, as damas movimentam-se com meneios insinuantes e requebros graciosos, sem sapatear, acompanhando os gestos com castanholas. Instrumentos musicais: viola, acordeão. Coreografia: os passos principais do fandango dividem-se em três categorias: 1) rufado ou batido; 2) bailado ou valsado; 3) rufado e valsado. Os cavalheiros formam com suas damas uma grande roda; as formas se alteram, as damas ficam de frente ou, às vezes, ao lado do cavalheiro, ou rodando um com o outro. E a dança desenvolve-se em uma atmosfera de sentimento esfuziante de anseios, desejos incontidos que chegam a inebriar os figurantes.
O "tatuí", uma das modalidades do fandango, apresenta como característica principal ser dançado por 10 cavalheiros, sem o concurso de damas. Sua coreografia inicia-se com palmadas ou tocar de castanholas.
Os passos desenvolvem-se da esquerda para a direita. Apresenta uma série de passos: viracorpo, pega-na-bota, quebra-chifre, pula-sela, mandadinho. Coreografia dos diversos passos do fandango "tatuí", conforme Rossini Tavares de Lima, em seu livro "Melodia e Ritmo no Folclore de São Paulo", pág. 36: "No quebra-chifre, os dançadores recordam os bois, quando brigam um com o outro, entrelaçando os chifres. Essa figura consiste em bater o lado do pé direito no pé esquerdo do parceiro e vice-versa. Para executá-la, os fandangueiros sempre a sapatear, ficam frente a frente. A marca encerra-se com um sapateado vivo, no qual os dançadores fecham a roda. A derradeira "marca" do fandango é o "mandadinho", que tem esse nome porque no seu transcurso o marcante vai dizendo o que os outros dançadores devem fazer. Na coreografia, descrevem o plantio, a colheita, o ensacamento e o armazenamento do feijão. Há também o "simples", no qual o marcante manda fazer coisas que não se relacionam. O final do mandadinho, como o das demais "marcas", apresenta a mesma figuração. No litoral de São Paulo, o fandango compreende uma série de danças, que podem ou não apresentar o sapateado ou bate-pé, como por exemplo: DãoDão, DãoDãozinho, Graciana, Tiraninha, Tirana-Grande, Rica-Senhora, Recortado, Recortado Grande, Morro Seco, Pica-Pau, João Dum Maruca, S. João do Porto, Chimarrita, Querumana, etc. O fandango rural, por outro lado, é nome genérico de diversas danças de salão, principalmente no Sul do País, passando assim, a designar qualquer baile, função ou divertimento.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário